Sempre tive a curiosidade de ler algum livro de José Saramago, aclamado escritor português, ganhador do Prêmio Nobel da Literatura. Por obra do acaso, encontrei "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" exposto na Biblioteca da Univali esses dias atrás e peguei para ler.
De cara, o que assusta um pouco é a exigência contida nas primeiras páginas: "Por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em Portugal." Isso porque, como nós tupiniquins não nos expressamos totalmente com as mesmas palavras que os irmãos de língua, fato constatado, convém observar, ser comum para quem faz downloads na internet, perceber as opções de idioma geralmente separadas em Português (Portugal) e Português (Brasil). Desse modo, é útil ler "O Evangelho" acompanhado de um bom (ou ótimo) dicionário.
Começando a leitura, qualquer leitor que estiver atento vai perceber que alguma coisa habitual está faltando. Uma só não, mas algumas. Um ponto final, sim, um ponto que termine um oração e comece outra, geralmente demora a aparecer. Saramago tinha um estilo próprio e diferente dos demais escritores. Construía suas orações/frases separadas por vírgula, ou, caso eu esteja enganado na análise sintética, construía orações gigantescas.
E não para por aí. Saramago não tinha por costume começar um novo parágrafo cada vez que a ideia do último seguia um novo foco. A essa função ficou encarregado o ponto. Nas muitas vírgulas e poucos pontos que se formaram os grandes parágrafos.
O que mais dificulta a leitura, porém, é o fato de que os diálogos entre os personagens acontecem também separados apenas por vírgulas. Quer saber quando alguém está falando? Uma letra maiúscula denuncia. Quer saber QUAL dos personagens está falando? Uma nova letra maiúscula vai lhe mostrar que um terminou a fala para o outro começar a dele. Nada de nova linha, parágrafo, travessão, e aquilo tudo que você aprendeu na escola. Esqueça. Ou melhor, não esqueça, por que você não é José Saramago.
Uma coisa é certa: pra quem gosta de frases de efeito, "O Evangelho" é um ótimo livro. Saramago sabia usar as palavras, era gênio mesmo, não tem como duvidar. A dúvida, aliás, é uma constante, caso você, como eu, acredite em Deus e seja cristão. Está aí outro ponto, o que mais causou polêmica do livro de Saramago: a versão da história de Jesus Cristo, totalmente diferente daquela que estamos habituados, a que se encontra na Bíblia Sagrada.
Saramago, comunista e ateu, usou a razão nua e crua para contar a vida de Jesus, uma visão própria da época, de tempos e costumes longínquos, com a qual se torna difícil acreditar nos pormenores românticos e sentimentais presentes na Bíblia. Maria, por exemplo, é vista como uma mulher submissa e constantemente inferiorizada, até pelo próprio filho Jesus. E ironizou a figura de Deus, criando uma espécie de tirano onipotente, onisciente e onipresente.
Certeza temos nesta vida que a morte virá, e também que mexer com religião é arrumar encrenca. Logo, Saramago havia conquistado a inimizade de peso da Igreja Católica. Mas vale a pena ler "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", talvez até pelo último motivo.
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sábado, 30 de julho de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Dica de leitura: Sussurro - série Hush Hush
Peguei esse livro pra ler numa sexta-feira à noite e terminei no domingo. Não foi por falta do que fazer não, a verdade é que o livro é bom mesmo, prende o leitor do início ao fim, num ritmo de leitura frenético. Ponto pra autora Becca Fitzpatrick (nome complicado) que conseguiu fazer da sua estreia literária um best-seller. Claro que a história inevitavelmente remete a comparações com Crepúsculo, outra saga com mocinho misterioso e amor proibído. Mas o mocinho da vez, Patch Cipriano, é bem diferente de Edward Cullen. Patch é mais sombrio, e suas intenções com Nora, a mocinha, de início não são as melhores. Também não consigo imaginar a Bella Swan aprontando (e se arriscando) tal qual Nora Grey. Vale a pena ler Sussurro.
Sinopse:
Nora é uma menina responsável. Aos 17 anos, ela tira boas notas e sempre avisa à mãe aonde vai e o que está fazendo. Nem mesmo garotos a fazem perder o foco nos estudos. Até porque, apesar das tentativas de sua melhor amiga, Vee, de lhe arrumar um pretendente, ela nunca se interessou por ninguém na escola. Pelo menos não até ela conhecer Patch, seu novo colega na aula de biologia. Patch parece estar em todos os lugares e saber tudo sobre ela. Seu jeito ao mesmo tempo sedutor e perigoso faz com que Nora fique imediatamente intrigada. E encantada.
É então que eventos estranhos começam a acontecer. Um homem usando uma máscara de esqui salta diante de seu carro, seu quarto é invadido e aparentemente alguém está tentando matá-la. Nora não sabe em quem confiar. Quando Vee conhece dois novos rapazes e tenta arranjar um encontro, as coisas só pioram. Nora está assustada a maior parte do tempo. Patch é o da máscara de esqui? Ou será Elliot, o novo garoto com quem Vee quer que ela saia?
Em sua busca por respostas, Nora está prestes a se descobrir no centro de uma batalha ancestral entre seres imortais e anjos caídos. Sim, os anjos estão entre nós. E nem todos estão interessados em atividades celestiais.
Sinopse:
Nora é uma menina responsável. Aos 17 anos, ela tira boas notas e sempre avisa à mãe aonde vai e o que está fazendo. Nem mesmo garotos a fazem perder o foco nos estudos. Até porque, apesar das tentativas de sua melhor amiga, Vee, de lhe arrumar um pretendente, ela nunca se interessou por ninguém na escola. Pelo menos não até ela conhecer Patch, seu novo colega na aula de biologia. Patch parece estar em todos os lugares e saber tudo sobre ela. Seu jeito ao mesmo tempo sedutor e perigoso faz com que Nora fique imediatamente intrigada. E encantada.
É então que eventos estranhos começam a acontecer. Um homem usando uma máscara de esqui salta diante de seu carro, seu quarto é invadido e aparentemente alguém está tentando matá-la. Nora não sabe em quem confiar. Quando Vee conhece dois novos rapazes e tenta arranjar um encontro, as coisas só pioram. Nora está assustada a maior parte do tempo. Patch é o da máscara de esqui? Ou será Elliot, o novo garoto com quem Vee quer que ela saia?
Em sua busca por respostas, Nora está prestes a se descobrir no centro de uma batalha ancestral entre seres imortais e anjos caídos. Sim, os anjos estão entre nós. E nem todos estão interessados em atividades celestiais.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Você sabe qual é a maior palavra da Língua Portuguesa?
Não, não é inconstitucionalissimamente, como muitos supõem. A maior palavra da Língua Portuguesa, aprendi graças a minha melhor amiga Flavia e ao dicionário Houaiss (considerado atualmente mais completo que o famoso Aurélio): pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Mas não é nenhum monstro que parece um pneu visto de um microscópio de silicone soltando lava de vulcão. Quase isso. É o cidadão que sofre de uma doença causada pelo contato com cinzas vulcânicas. A doença, em si, tem duas letras a menos, lá vai: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. Eita! A Wikipédia separou parte por parte a miudeza pra se chegar a uma definição melhor:
Palavra Significado
Pneumo pulmão
Ultra além
Microscópico muito pequeno
Sílico derivado de silício, elemento químico presente no magma vulcânico
Vulcano vindo de um vulcão
coniose doença causada pela inalação de partículas de poeira em suspensão no ar
Claro que a Flavia soube decorar muito antes de mim. Mas eu soube aproveitar muito bem esse novo aprendizado. Certa vez, na aula de comunicação, já na faculdade, surgiu essa pergunta sobre a maior palavra da nossa língua. Respondi certo, pra desgosto da professora, que não quis ficar por menos, e deu a definição da palavra. Só que ela deu a definição errada; ao invés de explicar que a palavra se referia ao doente, ela falou que era a doeça em si. Bom, sendo uma palavra de 46 letras, naturalmente ao chegar no final dela, você já esqueceu o começo, daí embaralha tudo. Dona Isaura, minha teatcher querida, tá perdoada!
O melhor de tudo foi que a sala não precisou fazer o dever de casa, que era justamente pesquisar sobre a tal palavra. Matamos o monstro ali mesmo, antes que ele nos engolisse. Mas sugiro que você tome cuidado, quando for passear próximo de um vulcão em erupção, pois ouvi falar que essa doença é perigosa! Imagina o coitado do doente, sofrendo alguma crise, tendo que falar pro médico do que ele sofre... Até terminar a palavra, já bateu as botas. Isso se ele não bater as botas por passear perto de um vulcão em erupção. Sai daí, pô!
Palavra Significado
Pneumo pulmão
Ultra além
Microscópico muito pequeno
Sílico derivado de silício, elemento químico presente no magma vulcânico
Vulcano vindo de um vulcão
coniose doença causada pela inalação de partículas de poeira em suspensão no ar
Claro que a Flavia soube decorar muito antes de mim. Mas eu soube aproveitar muito bem esse novo aprendizado. Certa vez, na aula de comunicação, já na faculdade, surgiu essa pergunta sobre a maior palavra da nossa língua. Respondi certo, pra desgosto da professora, que não quis ficar por menos, e deu a definição da palavra. Só que ela deu a definição errada; ao invés de explicar que a palavra se referia ao doente, ela falou que era a doeça em si. Bom, sendo uma palavra de 46 letras, naturalmente ao chegar no final dela, você já esqueceu o começo, daí embaralha tudo. Dona Isaura, minha teatcher querida, tá perdoada!
O melhor de tudo foi que a sala não precisou fazer o dever de casa, que era justamente pesquisar sobre a tal palavra. Matamos o monstro ali mesmo, antes que ele nos engolisse. Mas sugiro que você tome cuidado, quando for passear próximo de um vulcão em erupção, pois ouvi falar que essa doença é perigosa! Imagina o coitado do doente, sofrendo alguma crise, tendo que falar pro médico do que ele sofre... Até terminar a palavra, já bateu as botas. Isso se ele não bater as botas por passear perto de um vulcão em erupção. Sai daí, pô!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Um menino, um atlas, e as capitais do mundo
Quando eu tinha uns 8/9 anos, meu pai assinava todos os dias o jornal Anotícia, e nessa época o jornal fez uma promoção que dava em toda edição, ou toda semana, não me lembro, partes de um atlas geográfico (aquele livro com mapas e outras informações sobre os países) para que os leitores completassem. Igualzinho esse aí do lado, numa espécie de parceria com a Folha de São Paulo. Reunidas as partes do livro, fizemos a encadernação.
Lembro que simplesmente achei fascinante aqueles mapas, os países que eu ouvia falar ainda criança, mas não conhecia detalhes como a localização, principais cidades, as características geográficas, enfim, todo o conteúdo de um bom atlas geográfico mundial.
Mas o que mais me chamou a atenção, aconteceu quando fui questionado pelo meu pai, que quis saber de mim, com o livro em mãos, qual era a capital dos Estados Unidos. Respondi a primeira cidade americana que veio na minha cabeça de criança. É lógico, oras bolas, só pode ser Nova York. Errado garoto! A capital dos Estados Unidos é Washington.
Fiquei pasmo... Como é que eu não sabia disso? Me intriguei, e de repente eu estava lendo as informações de todos os países. Sem nem perceber, em pouco tempo tinha decorado o nome de todas as capitais do mundo. Me divertia respondendo às perguntas dos meus familiares, que tentavam de todas as maneiras me pegar numa pergunta difícil.
Minha imaginação de criança ia longe, e nela eu estava participando de um programa de perguntas e respostas, talvez o grande sucesso da época "Show do Milhão", onde eu respondia corretamente Sarajevo, quando me peguntassem a capital da Bósnia e Herzegovina, ou Ulan Bator, quando a questão era sobre a capital da Mongólia. 1 milhão de reais em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro! hehe
Aprendi muito com meu atlas, e tenho ele lá guardadinho até hoje. Claro que as capitais não estão mais todas na ponta da língua, mas ainda me recordo o suficiente para responder sobre os países mais conhecidos. E sobre a Bósnia e Herzegovina e a Mongólia, obviamente.
Lembro que simplesmente achei fascinante aqueles mapas, os países que eu ouvia falar ainda criança, mas não conhecia detalhes como a localização, principais cidades, as características geográficas, enfim, todo o conteúdo de um bom atlas geográfico mundial.
Mas o que mais me chamou a atenção, aconteceu quando fui questionado pelo meu pai, que quis saber de mim, com o livro em mãos, qual era a capital dos Estados Unidos. Respondi a primeira cidade americana que veio na minha cabeça de criança. É lógico, oras bolas, só pode ser Nova York. Errado garoto! A capital dos Estados Unidos é Washington.
Fiquei pasmo... Como é que eu não sabia disso? Me intriguei, e de repente eu estava lendo as informações de todos os países. Sem nem perceber, em pouco tempo tinha decorado o nome de todas as capitais do mundo. Me divertia respondendo às perguntas dos meus familiares, que tentavam de todas as maneiras me pegar numa pergunta difícil.
Minha imaginação de criança ia longe, e nela eu estava participando de um programa de perguntas e respostas, talvez o grande sucesso da época "Show do Milhão", onde eu respondia corretamente Sarajevo, quando me peguntassem a capital da Bósnia e Herzegovina, ou Ulan Bator, quando a questão era sobre a capital da Mongólia. 1 milhão de reais em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro! hehe
Aprendi muito com meu atlas, e tenho ele lá guardadinho até hoje. Claro que as capitais não estão mais todas na ponta da língua, mas ainda me recordo o suficiente para responder sobre os países mais conhecidos. E sobre a Bósnia e Herzegovina e a Mongólia, obviamente.
domingo, 23 de janeiro de 2011
A árvore, o filho e o livro
Minha professora de Língua Portuguesa, Dona Silvana, costumava dizer que o ser humano, para atingir a felicidade plena, ou realizar-se pessoalmente, deveria fazer três coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
Hoje resolvi dar uma olhada na net é vi que o negócio é sério mesmo, sabedoria popular.
Acredito que plantar um árvore seja muito simples, qualquer um já deve ter feito. Quem nunca ganhou uma mudinha na escola para plantar em casa? Se você é muito malandro e jogou a muda fora quando criança, taí ó, hora de correr atrás do prejuízo. Mas não plante eucalipto, já basta por aqui. Os lençóis freáticos agradecem.
Fazer um filho, ou melhor, ter um filho, tá fácil pra caramba atualmente. Acho que a regra deveria ser atualizada: Tome cuidado pra não ter um filho na hora errada, ou melhor, eduque bem o seu filho, garanta um bom futuro pra ele!
Quanto ao livro, acho que o negócio é mais complicado. Eu já tentei escrever, tenho até uma ideia de romance que, modéstia a parte, viraria bestseller (chique!) mas a preguiça não deixa. Vislumbro até uma adaptação para o cinema ou TV. Novela das 9, é claro.
Caindo na real, eu já plantei uma árvore (justamente na época da escola), pretendo ter um filho futuramente, e talvez escreva um livro, nem que seja um biografia bem chata ou a monografia do meu doutorado. Planos pro futuro, oras.
E você? Só não vale sair fazendo muitos filhos pra compensar a árvore e o livro, espertinho!
Hoje resolvi dar uma olhada na net é vi que o negócio é sério mesmo, sabedoria popular.
Acredito que plantar um árvore seja muito simples, qualquer um já deve ter feito. Quem nunca ganhou uma mudinha na escola para plantar em casa? Se você é muito malandro e jogou a muda fora quando criança, taí ó, hora de correr atrás do prejuízo. Mas não plante eucalipto, já basta por aqui. Os lençóis freáticos agradecem.
Fazer um filho, ou melhor, ter um filho, tá fácil pra caramba atualmente. Acho que a regra deveria ser atualizada: Tome cuidado pra não ter um filho na hora errada, ou melhor, eduque bem o seu filho, garanta um bom futuro pra ele!
Quanto ao livro, acho que o negócio é mais complicado. Eu já tentei escrever, tenho até uma ideia de romance que, modéstia a parte, viraria bestseller (chique!) mas a preguiça não deixa. Vislumbro até uma adaptação para o cinema ou TV. Novela das 9, é claro.
Caindo na real, eu já plantei uma árvore (justamente na época da escola), pretendo ter um filho futuramente, e talvez escreva um livro, nem que seja um biografia bem chata ou a monografia do meu doutorado. Planos pro futuro, oras.
E você? Só não vale sair fazendo muitos filhos pra compensar a árvore e o livro, espertinho!
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